Já pensou qual será a maior empresa portuguesa do sector financeiro a nível mundial e com actividade mais globalizada? Assim de repente, é a banca que lhe ocorre? Nada mais errado. Nos bancos, o que existe são apenas participações minoritárias disseminadas pelo mundo. Na verdade, o gigante não é mediático, mas vem do universo Sonae, mais especificamente da sua plataforma de seguros: a mds.
O corretor de seguros é, hoje, o resultado do maior investimento jamais feito por uma empresa nacional no estrangeiro nesta área. Mais do que isso, constitui uma situação inédita: é a única operação internacional de origem lusa no segmento dos resseguros – e logo no quinto lugar dos maiores negócios, representando mais de 167 milhões de dólares de receitas brutas. “Na área financeira, temos a única operação verdadeiramente global”, destaca à
José Manuel Dias da Fonseca, CEO da corretora.A actividade arrancou há 25 anos como corretora cativa do grupo Sonae, para a gestão dos seus seguros internos. Começou a virar-se para o mercado desde 2000, iniciando uma expansão cavalgante a partir de um crescimento orgânico e de algumas aquisições. A maior delas foi a Unibroker do Grupo Amorim, em 2005, na altura o quarto maior corretor de seguros do País. O projecto da Sonae foi-se tornando mais vasto, sendo hoje corporizado por uma das holdings do grupo, a mds SGPS (ver quadro). No seu universo, a SonaeRe é a resseguradora cativa da Sonae, que aceita apenas risco do grupo, colocando-o no mercado internacional de resseguro. Já a Continente Seguros gere o negócio de seguros na rede de distribuição do grupo. Desde 2006, a mds é o broker líder do mercado nacional.
Estratégia internacional
O trajecto teve também uma estratégia internacional de expansão. A participada Lazam mds, um gigante no mercado da América Latina e o 3º broker do Brasil, resultou de uma joint-venture firmada em 2002. Por outro lado, em 2004 criaram a Brokers Link, uma rede mundial de corretagem de seguros, liderada a partir dos escritórios do Porto, onde todo o negócio global está sedeado. Esta estrutura envolve brokers de todos os continentes (alguns líderes de mercado) e gere uma carteira de clientes de quatro mil milhões de euros. “Possibilita gerir seguros de qualquer cliente em qualquer parte do mundo”, explica o administrador, valorizando a origem portuguesa do negócio.
Mas a dimensão internacional assume especial relevância com a crescente participação na Cooper Gay, o quinto maior broker de resseguro do mundo – recentemente subiu de 13,68 para 32,12%, num investimento total de cerca de 36,6 milhões de euros. Na prática, a máquina está bem traçada e abrange todo o conceito de negócio dos seguros: mds e Lazam focados nos mercados português e brasileiro como brokers de seguro (directo); e Cooper Gay e Brokers Link a operarem como corretores de resseguro fortes em todo o mundo.
Em 2007, a mds facturou 12,6 milhões de euros e estima ter fechado o exercício do ano passado com mais 13 milhões. A holding emprega 120 pessoas em Portugal, meio milhar no Brasil (Lazam) e 650 no Reino Unido (Cooper Gay). Com parceiros em todos os mercados, a mds “é um broker com capacidade para operar em qualquer tipo de actividade e de risco”, refere Dias da Fonseca. Destaca ainda a aposta nos serviços de consultoria, com vista a “desenvolver os seguros mais adequados para as empresas, adaptando-os aos novos paradigmas da sociedade e do mundo”.
Pedro Aleixo Pais
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Broker de seguro (directo)
É o mediador de seguros. Neste caso, põe em contacto o seu cliente com a sua companhia de seguros, servindo de intermediário comercial. Dá o apoio em “primeira mão” ao tomador do seguro e/ou segurado.
Broker de resseguro
É o intermediário do resseguro. O broker não assume o risco, coloca-o apenas no mercado. Tem como tarefa colocar riscos importantes no mercado internacional, sendo utilizado preferencialmente pelas companhias de seguros.
Artigo publicado na edição da
nº 48, de Janeiro de 2009

















