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“Se não fosse o euro, estaríamos falidos”

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Um Estado à beira da falência e uma sociedade de conhecimento demasiado
dependente do OE. O futuro da nossa economia visto por Mira Amaral

Temos um Estado à beira da falência e, se não fosse o euro, já estaríamos falidos. Quem o defende é Mira Amaral, presidente do Banco BIC e do Fórum para a Competitividade, orador na Conferência INVEST/ ISLA / COTEC, dedicada à inovação. Instado a falar sobre a ligação entre as empresas e as universidades, Mira Amaral foi peremptório ao afirmar que a o País já não consegue crescer mais seguindo o modelo de crescimento do passado, que foi sobretudo um crescimento de cimento e betão. Por isso, é preciso evoluir para um novo modelo económico, que junte ao trabalho e ao capital um novo e fundamental elemento: o conhecimento.
Mira AmaralApoiando-se na Teoria de Crescimento Endógeno de Paul Rommer, Mira Amaral defendeu que “A Tecnologia e o Conhecimento são endógenos ao sistema económico. Como o conhecimento pode ter rendimentos marginais crescentes, podemos entrar num círculo virtuoso de crescimento sustentável”. É que o conhecimento, acrescentou, será o mais importante factor de competitividade a nível global.
Frente a uma plateia de mais de 90 pessoas, na sua maioria empresários, a Conferência de Inovação, que decorreu em Castelo Branco, levou Mira Amaral a falar também na importância da inovação. Segundo o especialista, a inovação é o processo mais avançado de concorrência, “porque é a busca constante de novos processos e produtos”. Para inovar, acrescentou, utiliza-se o conhecimento para criar valor, com impacto económico e social. A inovação, explicou, é a que se pode transformar em valor, independentemente da sua origem ser ou não científica e tecnológica. “O produto ou o processo copiam-se, mas o ecossistema que gera um fluxo constante de inovações, não se replica”, afirmou. Conferência Castelo Branco
Para o presidente do Fórum para a Competitividade a estagnação portuguesa começou mesmo antes da crise mundial. E, alertou, se não fosse o euro estaríamos falidos. Mesmo admitindo que poderíamos jogar com a desvalorização de moeda para incrementar a economia, Mira Amaral acredita que seríamos facilmente ultrapassados por outros países. “Portugal descolou do atraso, mas não conseguiu dar o salto da Irlanda ou da Áustria, muito menos imitar os nórdicos e tem à perna alguns dos novos aderentes do Leste”, concretizou.
E qual será a solução? “Portugal só se desenvolverá através da aposta nos produtos e serviços transaccionáveis que se vendem na economia global. Está esgotado o crescimento pelo lado da procura (consumo público e privado) atendendo à situação de endividamento das famílias e do Estado”, concluiu Mira Amaral.
Mira Amaral e António GranjeiaUm bom exemplo de produtos transaccionáveis na economia global que servem de alavancagem para uma empresa foi apresentado por António Granjeia, vice-presidente da Centauro. O caso-estudo é uma empresa com três décadas, sedeada em Castelo Branco, que tem mantido uma aposta na inovação. Com rigor, parcerias e atenção ao mercado. E resumiu, citando Henry Ford: “Se há um segredo para o êxito é o seguinte: entender o ponto de vista dos outros e ver as coisas com os seus olhos”.


Reportagem completa na edição número 52 da Revista INVEST, de Maio de 2009


Actualizado em ( Terça, 09 Junho 2009 11:44 )  


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