Um Estado à beira da falência e uma sociedade de conhecimento demasiado dependente do OE. O futuro da nossa economia visto por Mira Amaral
Temos um Estado à beira da falência e, se não fosse o euro, já estaríamos falidos. Quem o defende é Mira Amaral, presidente do Banco BIC e do Fórum para a Competitividade, orador na Conferência
/ ISLA / COTEC, dedicada à inovação. Instado a falar sobre a ligação entre as empresas e as universidades, Mira Amaral foi peremptório ao afirmar que a o País já não consegue crescer mais seguindo o modelo de crescimento do passado, que foi sobretudo um crescimento de cimento e betão. Por isso, é preciso evoluir para um novo modelo económico, que junte ao trabalho e ao capital um novo e fundamental elemento: o conhecimento. Frente a uma plateia de mais de 90 pessoas, na sua maioria empresários, a Conferência de Inovação, que decorreu em Castelo Branco, levou Mira Amaral a falar também na importância da inovação. Segundo o especialista, a inovação é o processo mais avançado de concorrência, “porque é a busca constante de novos processos e produtos”. Para inovar, acrescentou, utiliza-se o conhecimento para criar valor, com impacto económico e social. A inovação, explicou, é a que se pode transformar em valor, independentemente da sua origem ser ou não científica e tecnológica. “O produto ou o processo copiam-se, mas o ecossistema que gera um fluxo constante de inovações, não se replica”, afirmou.
Para o presidente do Fórum para a Competitividade a estagnação portuguesa começou mesmo antes da crise mundial. E, alertou, se não fosse o euro estaríamos falidos. Mesmo admitindo que poderíamos jogar com a desvalorização de moeda para incrementar a economia, Mira Amaral acredita que seríamos facilmente ultrapassados por outros países. “Portugal descolou do atraso, mas não conseguiu dar o salto da Irlanda ou da Áustria, muito menos imitar os nórdicos e tem à perna alguns dos novos aderentes do Leste”, concretizou.
E qual será a solução? “Portugal só se desenvolverá através da aposta nos produtos e serviços transaccionáveis que se vendem na economia global. Está esgotado o crescimento pelo lado da procura (consumo público e privado) atendendo à situação de endividamento das famílias e do Estado”, concluiu Mira Amaral.
Reportagem completa na edição número 52 da Revista
, de Maio de 2009

















