ANÁLISE Por Jorge Carpinteyro
“Sempre que pretendemos implementar uma nova ideia está implícito o risco de não funcionar à primeira tentativa. Isso, contudo, não significa que não funcione”
Ter uma ideia nova sobre uma empresa ou um produto parece ser algo relativamente simples e há quem afirme que tem muitas ideias por dia. No entanto todos sabemos que não basta ter ideias, pois vender os produtos ou serviços resultantes dessas ideias já não é tão simples.
Porque acontece isso? E como podemos alterar esta situação? Temos duas possíveis alternativas:
A primeira é encontrar qual é a melhor forma de inserir essa ideia no mercado, uma vez que cada ideia tem seu mercado próprio e para isso é necessário ter informação das atitudes de consumo do mercado. Esta informação permite-nos definir onde e como inserir os nossos produtos e serviços. Muitas vezes as ideias são excelentes, mas não são colocadas no mercado certo ou então a comunicação do produto não é adequada ao mercado.
A segunda alternativa é mudar de processo de geração de ideias. Em vez de ter uma ideia e depois procurar o mercado, deve-se fazer o contrário - primeiro identificamos um mercado ou um nicho de mercado, analisamos bem, definimos soluções a os problemas detectados e transformamos essas soluções em produtos o serviços concretos.
Tenho um cliente que fabrica produtos para as áreas da saúde e pretendia inserir um novo produto. Perguntei, então, quanto tempo tinha passado nas urgências a observar tudo o que aí acontecia para poder desenvolver o produto. A resposta foi… nenhum.
A maior parte das vezes o principal problema de algumas das nossas ideias é que ficamos pela primeira descoberta, mas não aprofundamos no problema e não dedicamos tempo a observar o contexto onde pretendemos inserir o produto. Em alguns casos, as empresas fazem estes procedimentos no início do projecto, e à medida que passa o tempo assumem tudo como um facto. Na realidade tudo evolui cada vez mais depressa e os nossos concorrentes também surgem todos os dias.
Outra pergunta típica dos empreendedores e empresários é qual de todas as ideias que tenho é boa? Na realidade todas são boas, não necessariamente pelo facto de todas poderem funcionar no mercado, mas porque aquelas que não funcionem aportaram experiência. Estamos habituados a ver do lado negativo as ideias que não funcionam e esquecemos a importância de aprender com elas.
O processo de consolidar uma empresa através de uma nova ideia depende de criação de experiência. Sempre que pretendemos implementar uma nova ideia implica o risco de não funcionar à primeira tentativa, embora isso não queira dizer que, com as adequações necessárias, não funcione numa segunda tentativa. Por vezes o problema mais comum é o mercado onde foi inserida.
Quando o problema é falta de resposta por parte do mercado, a razão principal é essencialmente a informação que temos do mercado, pelo que devemos pesquisar mais ou recorrer a um especialista em atitudes de consumo, de forma a facilitar a inserção adequada do produto no mercado.
PERFIL Jorge Illich Carpinteyro é designer industrial, com licenciatura da Universidad Autónoma Metropolitana (México), mestrado em Design, Gestão e Desenvolvimento de Novos Produtos, na Universidad Politecnica de Valência (Espanha),e tem trabalhado na área de desenvolvimento do produto, gestão da inovação, transformação do conhecimento e prospectiva. É consultor na Advank Business Consulting, sociedade que opera na área da inovação, prospectiva e tendência.
Análise publicada na edição nº 51 da revista
, de Abril de 2009


















