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Sapatos que batem o pé à crise

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Deixámos de ser produtores massivos de calçado, perdendo a indústria para a Ásia. Mas ainda há quem consiga inverter este cenário

Na última década Portugal perdeu mais de um quarto da indústria de calçado, a avaliar pelos números da Apiccaps - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e seus sucedâneos, depois de quase três décadas de crescimento contínuo. Perdas que se verificaram tanto em volume de produção, como em valor e em número de pares produzidos. Situação que se tem agravado com a crise, como comprovamos com as notícias de encerramento de empresas do sector.
Depois dum pico de produção – em 1994 a indústria nacional produziu 110 milhões de pares de sapatos – a mudança tornou-se imparável. As multinacionais estrangeiras fizeram as malas e puseram pés ao caminho para paragens mais rentáveis.
Augusto e Ângela OliveiraApesar disso, nem tudo está perdido para um dos sectores que mais exportou no País. Ainda de acordo com os números da Apiccaps, entre 2000 e 2005 Portugal conseguiu oscilar entre a terceira e a sexta posição mundial entre os exportadores de sapatos de couro. Nesse ano as exportações corresponderam a 88% do valor de produção, o rácio mais elevado de sempre. Os 72 milhões de pares de calçado exportados nesse ano proporcionaram uma receita de 1.250 milhões de euros. E, embora o volume global de exportações tenha tido algum recuo, o preço médio do calçado exportado, 17,42 euros atingiu, em 2005, um novo valor máximo, traduzindo a especialização em segmentos mais elevados. Só a Itália consegue um preço unitário mais elevado que o português.
E hoje, o que se passa no sector? Em época de fechos anunciados, a INVEST mostra exemplos de quem consegue dar a volta por cima. Por um lado a empresa familiar, que vai já na terceira geração e que conseguiu crescer com verdadeira inovação. Na Mariano Shoes até a pele de galinha serve para fazer calçado.
Por outro, a Ecco’ Let, investimento multinacional que deveria ter fechado portas e, afinal, conseguiu transformar-se no cérebro da casa-mãe dinamarquesa.  

Reportagem completa na edição número 62 de Março de 2010 da Revista INVEST
Actualizado em ( Quarta, 05 Maio 2010 12:10 )  

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