
A Duil Centrum é como filha de Portugal e da Escandinávia: precisa de ambos para crescer Qualquer estratégia de internacionalização exige um rigoroso planeamento estratégico.
Em Portugal, a cerâmica decorativa sempre teve uma forte componente de exportação e a Duil Centrum é um exemplo de dinamismo na intermediação entre os fabricantes e os mercados externos. Focalizada há 40 anos no mercado escandinavo (sobretudo Suécia, Dinamarca e Noruega), a empresa sedeada em Alcobaça procura oportunidades de negócio no exterior, facultando as soluções produtivas mais adequadas às necessidades criadas naqueles mercados nórdicos.
Mais do que um intermediário, é um prestador de serviços, que assegura todo o serviço logístico e de supervisão das relações externas que desencadeia entre os fabricantes nacionais e os clientes estrangeiros.A Duil Centrum trabalha basicamente nas áreas do grés, do vidro e dos talheres e, mais recentemente, da porcelana. O segmento cerâmico representou 80% até aos anos 90, caindo para os 20% na actualidade. Trabalha com um leque alargado de fabricantes portugueses do sector. Na sua actividade, há um trabalho de selecção das empresas mais adequadas para cada projecto que lhe cai nas mãos. José Galamba, o sócio-gerente, explica à
que “após uma primeira fase de triagem, o critério essencial aponta para a situação económica das cerâmicas no momento de cada solicitação”, juntando ainda as relações históricas da empresa com as mesmas – uma espécie de gestão pedagógica das encomendas. A Duil Centrum representa 23 fabricantes cerâmicos em Portugal – incidindo num núcleo duro de 15 –, com quem estabeleceu parcerias de agenciamento. O processo é simples: a empresa é agente das fábricas – que facturam directamente aos clientes nórdicos – e recebe a comissão das mesmas a posteriori. Paralelamente, aposta em parcerias com especialistas de design (nacionais e escandinavos) para o apoio no próprio desenvolvimento do produto, garantindo depois todo o acompanhamento técnico dos projectos.Para além de dinamizar as relações comerciais com o exterior, procura também promover o contacto directo entre os dois players que intermedeia, através de operações de charme em Portugal e no norte da Europa. “Uma das nossas bandeiras é, mais do que divulgar as fábricas, promover Portugal”, destaca o responsável. Na Escandinávia, a procura dispersa-se entre as grandes superfícies, o cliente de conceito, cadeias de lojas, floristas e armazenistas.Em 2007, o volume de negócios atingiu os 3,8 milhões de euros e as expectativas iniciais para este ano apontavam crescer até aos 4 milhões, embora deva manter a performance de vendas anterior. E José Galamba explica porquê: “No nosso sector, já se verificou um corte com o mercado chinês e um desinvestimento significativo nos produtos orientais, mas era suposto que esse efeito tivesse impacto em Janeiro passado. A conjuntura económica mundial tem travado essa mudança que todos esperamos”. P.A.P.
Artigo publicado na edição da revista
nº 45, de Outubro de 2008, enquadrado num trabalho de actualidade sobre a cerâmica decorativa e utilitária em Portugal. Nele constam artigos sobre a Secla, que encerrou recentemente as portas, a Faianças Bordalo Pinheiro, que iniciou um processo de reestruturação, e ainda a Jomazé, que tem conseguido fazer uma boa adaptação às vicissitudes da globalização.


















