INVEST - Revista invest

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte
ENTRADA NOTÍCIAS Negócios O sonho motorizado
Faixa publicitária

O sonho motorizado

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Ricardo Baeta
Em criança desenhava motos. Aos 30 anos, Ricardo quer lançar um automóvel em Portugal e Inglaterra


Quando se pergunta a uma criança o que quer fazer quando crescer, é frequente uma resposta do tipo “piloto de motas”. Mas se a paixão em tenra idade for no sentido da concepção de protótipos, o caso torna-se mais raro. Assim aconteceu com Ricardo Baeta, um portimonense que cedo foi viver para Lisboa e desenvolveu um apetite especial pelo mundo das duas rodas.
Os anos passaram e o “bichinho” foi crescendo até se tornar sério. A predisposição para o desenvolvimento de protótipos de motociclos foi sempre partilhada com o irmão. “Por volta dos 18 anos era um autodidacta, fazia a concepção do protótipo e 30% de todo o processo, através de conhecimentos provenientes do meu interesse pessoal e obtidos a partir da leitura e da aplicação prática”, recordou à INVEST. Possuir um Ferrari ou uma moto de topo nunca foram, para si, uma prioridade, até porque a perspectiva da ostentação não o atrai. “A minha paixão nesta área passa mesmo por sujar as mãos e ser o verdadeiro engenheiro independente na sua análise, ou seja, aquele que tem capacidade para compreender, mais do que marcas, conceitos”, assume.
Ricardo Baeta preferiu apostar numa formação académica complementar. A par do curso de Gestão de Empresas que viria a ser determinante mais tarde, começou então a ter condições para materializar essa grande paixão pelo desenvolvimento de protótipos de motos. No essencial, aliou o know-how acumulado com uma capacidade crescente de estabelecer contactos, gerir projectos e coordenar as diversas valências necessárias para a sua prossecução.
O tipo de actividade que sempre o motivou exige toda uma lógica de planeamento, gestão e controlo de orçamento do projecto. O gestor passou então a desempenhar um papel central em todo o processo, recaindo sobre si as responsabilidades de concepção, aquisição de materiais e ainda parte da implementação prática, que é distribuída por especialistas de várias áreas.

Arranque à inglesa

Sempre quis criar algo de raiz, desde que fosse com duas ou quatro rodas. A maior dificuldade surgiu logo de rajada e em duplicado: Portugal não ter tradição na construção automóvel e as questões burocráticas. Mas o seu sonho em conseguir aliar a paixão pela actividade com uma sustentabilidade financeira não se esfumou. A participação no PAEGI – Programa Avançado em Empreendedorismo e Gestão da Inovação da Uniniversidade Católica reforçou ainda mais a sua qualificação no desenvolvimento de projectos e planos de negócios, servindo de estímulo para a criação de uma marca de nicho ligada à construção automóvel.
O embrião do projecto surgiu em Janeiro de 2007, com a concretização do plano de negócios inicial. Designado por Solaris Project, aquela que começou por ser “uma brincadeira”, rapidamente se transformou numa ideia possível.
Em Outubro passado, Ricardo Baeta decidiu levar o projecto a Inglaterra, com o apoio da Embaixada Britânica, no sentido de identificar centros de desenvolvimento automóvel que pudessem colaborar nesta empreitada. O feedback acabou por ser positivo em termos de receptividade e entusiasmo em torno de um projecto “cujos segredos são há muito conhecidos pelos ingleses” – Inglaterra acumula elevado know-how no sector e beneficia de invejáveis facilidades burocráticas. Os contactos multiplicaram-se ao nível da construção automóvel, design, fornecimento de motores, homologações e promoção.
Esta viagem serviu para estabelecer uma parceria de projecto com um centro de desenvolvimento britânico. Seguiu-se o desenvolvimento do plano de negócios e os mapas financeiros, mediante a definição quase total do tipo de automóvel a construir: um veículo desportivo de pequena/média dimensão, de alta performance, económico e com design inovador. Ricardo Baeta avança à INVEST que o projecto “está assente em algo intermédio entre um veículo desportivo de preço acessível e um carro de topo e de elevado preço, tendo, contudo, as performances deste último, com uma economia extrema e baixos custos de manutenção”. Isto num nicho de mercado “low volume” (produção reduzida).
No negócio que se avizinha, o factor pioneirismo é fundamental como vantagem comparativa face aos produtos similares existentes no mercado internacional (marcas), com preços, design e motores diferentes. “O «mix» entre o nosso design, preço, performance e motorização é único no mundo”, explica, numa lógica de antecipar a concorrência, isto é, “fazer algo que, quem quiser copiar, demore seis meses ou um ano”.
Em simultâneo, a estratégia passa também por posicionar o automóvel numa zona vazia (ou não explorada) do mercado, com vantagens competitivas associadas e a partir de um conjunto de parâmetros considerados relevantes – componentes, mão-de-obra, margem financeira, intermediação e impostos. Para “operar de forma inovadora”, foi desenvolvida uma ferramenta de análise do posicionamento do produto em termos de performance/preço/conceito. “Aqui está a mestria do negócio”, sublinha o empreendedor.

Pedro Aleixo Pais

Reportagem publicação na edição da revista INVEST nº44, de Setembro de 2008



No mercado em 2009




O plano de negócios do Solaris Project fica 90% concluído neste final de Verão, com a fase de apuramento do design, maqueta e constituição formal da empresa sua proprietária. Esta é a “altura propícia” ao financiamento do projecto e arranque fo
rmal. O investimento global poderá atingir dois milhões de euros. O modelo de financiamento tem três cenários possíveis: através de uma entidade investidora nacional ligada à construção automóvel, de um promotor de elevada notoriedade ou de uma entidade britânica ligada à indústria automóvel.  
Embora a engenharia de base seja inglesa, a linha de montagem ficará em Portugal. O início da comercialização do Solaris (nome não definitivo) está previsto para finais de 2009 e simultâneo em Portugal e Inglaterra – seguem-se Espanha, Angola e Brasil em 2010 ou 2011. Em Portugal haverá venda directa – com stand e ponto de venda na Grande Lisboa –, enquanto em Inglaterra a estratégia passa pela venda por concessionário de nicho seleccionado.



Actualizado em ( Quarta, 04 Fevereiro 2009 20:01 )  


Outros nesta categoria:

Newsletter

Eventos

<<  Setembro 2010  >>
SeTeQuQuSeDo
    1  2  3  4  5
  6  7  8  9101112
13141516171819
20212223242526
27282930   

Pesquisa Google


Pesquisar

PUBLICIDADE

Faixa publicitária

Inquéritos

A partir de 1 de Julho, o Governo quer iniciar pagamentos de portagens nas SCUT do Norte Litoral, Costa de Prata e Grande Porto. É uma boa medida?
 

Galerias

PUBLICIDADES

Em linha

Temos 90 visitantes em linha

Visitantes por países

Totals Top 10
 77% Portugal
 6% Brazil
 6% United States
 < 1.0% Unknown
 < 1.0% United Kingdom
 < 1.0% Russian Federation
 < 1.0% Norway
 < 1.0% France
 < 1.0% Spain
 < 1.0% Germany
Clique duas vezes na imagem,
para ver em modo ''écrã cheio''
INVEST: TV e RADIO live stream

Frases

João Paulo Girbal


“Há empresários com visão e estratégia, mas infelizmente Portugal ainda funciona a duas velocidades. Temos empresas que apostam forte em novas tecnologias e outras com muitas dificuldades, com uma gestão pouco profissionalizada”

Coordenador da Estrategical Aliance Team da Microsoft Corporation, in INVEST, Junho de 2006