Três empresários de referência fazem a análise dos novos tempos. Todos eles trabalham diariamente com os mercados externos e oferecem uma visão do mercado global, seus problemas e oportunidades.
Na sua primeira edição, em Fevereiro de 2005, a
ouviu Rui Filinto, presidente da Key Plastics Europe, António Santos, gerente da Tecmolde, e Duarte Raposo de Magalhães, ex-director geral de Empresa, apresentando a experiência de quem sente os mercados externos no seu dia-a-dia. Rui Filinto: indústria deve ser mais competitiva

Em entrevista, Rui Filinto falou de soluções e também dos problemas da nossa economia. Quando instado a comentar o que faltado à indústria nacional para ser mais competitiva, o líder da Key Plastics Europe considera necessário “uma administração pública moderna e competitiva, um Estado com visão e políticas de longo prazo”, bem como “escolas capazes de desenvolver pessoas empreendedoras, cultas, capazes de trabalhar em ambientes exigentes e interessados no bem-estar das suas comunidades”. Para Rui Filinto, “o resto vem por acréscimo: de uma forma geral, as pessoas mais qualificadas em Portugal são as menos empreendedoras e acomodadas e, as menos qualificadas, são aquelas que arriscam tudo, que são mais determinadas e decididas, mas menos preparadas”.
António Santos: aproveitar competitividade asiática

Mensagem importante deixou também António Santos, um dos maiores empresários de moldes do País, numa altura em que a China crescia a olhos vistos como principal fornecedor do mundo. Para este experiente gestor, há necessidade de “tirar partido da competitividade asiática e oferecer a qualidade de projecto e de acabamentos dos moldes portugueses”.
Em entrevista à
, António Santos vaticinou que, “dentro de cinco anos, os chineses serão os nossos principais clientes mas, neste momento, possivelmente teremos que ser forçados a ser clientes dos moldes chineses”. A convicção é de António Santos, presidente da Tecmolde, sociedade de engenharia e comercialização de moldes da Marinha Grande que, anualmente, distribui cerca de 500 projectos por mais de 60 empresas da Marinha Grande.De experiência acumulada de quase 40 anos na engenharia e comercialização de moldes, António Santos sente actualmente – e diariamente – os efeitos da globalização de mercados.
“Os clientes sentem muitas pressões por parte das companhias para baixar preços e não querem saber se compram em Portugal, na China, na Índia ou em Cabo Verde”, diz o empresário, esclarecendo que “o que querem é moldes mais baratos, com a mesma qualidade, os mesmos prazos e a mesma garantia”.
Duarte Raposo de Magalhães: temos de criar apoios efectivos à internacionalização

O antigo presidente da Vitrocristal e ex-director-geral de Empresa defende apoios à exportação alicerçados em políticas de internacionalização.
É com um olhar muito crítico que Duarte Raposo de Magalhães avalia a forma como se tem incentivado a indústria nacional. Para este responsável, é necessário criar condições para as empresas portuguesas se internacionalizarem, “o que não tem sido feito”.
“Sempre defendi, e continuo a fazê-lo, que não temos outra saída senão proporcionar condições para as empresas portuguesas se internacionalizarem, definindo e seleccionando nichos de mercado”, diz.
Para isso, “uma aposta decisiva, e que me parecia que este Governo queria implementar, devia basear-se numa política de inovação, que faça a ligação entre universidades e indústria, no sentido de se ser muito prático na aplicação de programas, que possam melhorar a competitividade das empresas”. Desta forma, sublinha, “poderão criar-se produtos novos para as empresas comercializarem”, pelo que é uma área onde “há todo o interesse em que Portugal faça um esforço sério de empenhamento”.
A reportagem completa pode ser lida na edição da
nº 1, de Fevereiro de 2005

















