OPINIÃO Por Feliciano Barreiras Duarte"O distrito tem de comunicar melhor ao País o que faz. Tem que demonstrar que é uma região atractiva para um projecto de vida"
É determinante para o desenvolvimento social e económico de Portugal conceber os media, sobretudo os de âmbito regional e local, como um suporte de apoio ao estabelecimento de fluxos de comunicação com as comunidades locais. Os media regionais e locais têm revelado elevadas potencialidades como agentes promotores da coesão e do desenvolvimento regional e local. A importância dos media regionais e locais para o desenvolvimento regional é cada vez maior. De entre outros factores que poderão vir a contribuir para a crescente importância dos media regionais e locais, podemos destacar os seguintes: i) do ponto de vista económico e social, o global está a potenciar a emergência do local; ii) a comunicação informativa e publicitária tende a ser cada vez mais segmentada por estilos de vida e zonas geográficas; iii) algumas empresas jornalísticas regionais estão a profissionalizar-se e a melhorar a qualidade do produto; iv) o crescente debate em torno da regionalização vai influenciar a criação de uma consciência cada vez mais regional e local; e, v) realização de estudos com informação que permite apoiar as decisões de investimento publicitário nos media regionais e locais.
A imprensa regional e local é cada vez mais importante, na medida em que permite refoçar a identidade e o desenvolvimento das comunidades locais. A imprensa regional e local não pode desaparecer, uma vez que cumpre uma função que as publicações nacionais não assumem, nomeadamente a promoção da coesão das populações e divulgação das empresas e dinâmicas locais. Hoje em dia os consumidores têm tantas opções de escolha que a única forma da imprensa recuperar os seus leitores é publicar assuntos que lhes interessam mais directamente, com reflexos mais imediatos nas suas vivências diárias. A comunicação social regional e local pode responder mais eficazmente a estas necessidades dos cidadãos.
No caso de Leiria, os meios de comunicação social têm ajudado – e muito – a “esbater” a hegemonia mediática dos media nacionais, que muitas vezes confundem o que se passa em Lisboa com o que se passa em Portugal. E isso acontece porque, para além dos jornais nacionais não serem capazes de fazer uma cobertura efectiva das regiões sediadas fora dos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto, existe uma mentalidade macrocéfala do País polarizada em Lisboa. Uma das formas de analisar a fraca penetração da imprensa de circulação nacional, nos vários Distritos, é recorrer aos dados da circulação média total da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragem (APCT). Por exemplo, de acordo com esta entidade (dados relativos ao período Janeiro/Junho de 2004), a circulação média distrito de Leiria relativamente aos principais jornais de circulação nacional é a seguinte: Jornal de Notícias: 744 exemplares; Diário de Notícias: 1.092 exemplares; Público: 1.181 exemplares; Correio da Manhã: 6.283 exemplares; 24 Horas: 1.607 exemplares; Expresso: 4.341 exemplares.
Como contraponto à tendência de globalização cada vez maior dos grandes meios de comunicação social – induzida em grande medida pelas tecnologias da informação e comunicação, é importante estimular o desenvolvimento dos media regionais e locais. Estes têm uma redrobrada importância como complemento dos media internacionais e nacionais. O ano passado o Governo apoiou a realização de um estudo que permite conhecer melhor o potencial da imprensa regional e local, nomeadamente as suas audiências. Este estudo vem evidenciar aquilo que já há muito se suspeitava: a imprensa regional e local tem uma elevada audiência. Exceptuando os distritos de Lisboa e do Porto, a imprensa regional e local supera as audiências da imprensa nacional. Este ano este estudo vai voltar a realizar-se. Por exemplo, Aveiro, Coimbra, Castelo Branco, Leiria e Santarém são os cinco distritos onde mais de 66% da população com 15 e mais anos tem o hábito de ler jornais regionais e locais. A média nacional de leitura de jornais regionais e locais ronda os 50%.
Apesar de não ser fácil descobrir identidades comuns aos vários concelhos que integram a região de Leiria, será muito importante desenvolver iniciativas integradores desses Concelhos. Na qualidade de publicação regional, a
pode desempenhar parte desse papel, sobretudo agindo como mediador da cooperação a populações e as instituições e empresas do Distrito. Essa partilha e integração de interesses é cada vez mais necessária. A defesa dos interesses comuns aos vários Concelhos que constituem o Distrito deve ser alcançada através de uma dinâmica supra-partidária alicerçada na sociedade civil em geral, e nas empresas em particular. As empresas e as universidades hoje em dia são os principais motores do desenvolvimento local e regional. À semelhança das empresas, hoje as regiões têm de competir umas com as outras; por isso, necessitam de ganhar economias de escala. E penso, francamente, que o Distrito de Leiria tem algumas vantagens competitivas e, por conseguinte, poderá estar em boas condições para nos posicionarmos como uma “Região Ganhadora”.Nesse sentido, o Distrito tem de comunicar melhor ao país o que faz; tem que demonstrar que é uma região dinâmica e atractiva para desenvolver um projecto de vida; e deve demonstrar o orgulho que representa a vários níveis. Não há desenvolvimento económico e social sem desenvolvimento educacional, nem difusão e partilha de conhecimento, sem comunicação. Por isso, as publicações de âmbito local e regional – como é o caso da
– podem também contribuir para a coesão e desenvolvimento regional. PERFIL Feliciano Barreiras Duarte, natural do Bombarral, é licenciado em Direito e frequenta o curso de mestrado em Sociologia.
Integrou o XVI Governo Constitucional, como secretário de Estado-adjunto do Ministro da Presidência, com a tutela da comunicação social regional.
Integra o presente Governo como secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.
É Assistente Universitário de Ciência Política e de Direito e monitor em Assuntos Europeus e Formação Política no Instituto Sá Carneiro.
Opinião publicada na edição nº 1 da
, em Fevereiro de 2005

















