Em Portugal há muitos clientes que não nos conhecem, que não sabem o que somos capazes de fazer, nomeadamente a nossa capacidade de resposta em termos de rapidez, inovação e produção de pequenas séries. E podem surgir negócios muito interessantes, no sector da saúde, por exemplo”, ilustrou Joaquim Menezes, presidente do Centimfe (o centro tecnológico dos moldes e plásticos), à conversa com a
, para explicar a importância da criação da Associação Pool-net – Portuguese Tooling Network. Em termos globais a nova associação quer dar uma imagem conjunta do sector dos moldes, promovendo a marca “Engineering & tooling from Portugal” e já apresentou um plano de trabalho para os próximos três anos.
O primeiro passo foi a constituição da Associação, que envolve 30 empresas de moldes, várias instituições de ensino e algumas associações do sector, nomeadamente a Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes que, em conjunto com o Centimfe - Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, lideram este processo. Oficializada a sua criação, durante o último mês, a Pool-net avançou com uma candidatura ao Programa Operacional Factores de Competitividade, candidatando-se a alguns apoios por parte do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, para a criação de um pólo de competitividade e tecnologia.
“Serão necessários cerca de 20 milhões de euros para, nos próximos três anos, levar a cabo os projectos que temos planeados”, explicou à
Manuel Oliveira, secretário-geral da Cefamol e, para já, um dos rostos que assume a Pool-net (pelo menos até serem definidos os seus órgãos sociais). Na prática, a candidatura apresentada prevê a criação do pólo de competitividade e tecnologia, que servirá para promover a marca comum “engineering & tooling”. Mas também para incentivar a criação de novos produtos e processos produtivos no sector dos moldes e para “piscar” o olho a novos mercados e sectores de clientes. Isto, apesar dos mercados mais tradicionais dos moldes, como os EUA e a Alemanha continuarem a merecer a atenção das empresas, frisou Manuel Oliveira.
Do ponto de vista mensurável pode dizer-se, como assumiu Manuel Oliveira, que o projecto será um sucesso se, “dentro de cinco anos, pelo menos 50 empresas usarem esta marca comum e gerarem um volume de negócios superior a 200 milhões de euros”.
Fuga ao automóvel
É o próprio sector dos moldes a reconhecer a excessiva dependência em relação à indústria automóvel (cerca de 72%, de acordo com o Plano Estratégico da Indústria dos Moldes). Por isso, a nova Associação e o futuro pólo de competitividade são também uma forma de reagir à actual situação, na busca de novos clientes. Do ponto de vista estratégico, os moldes definiram, além do automóvel, cinco mercados potenciais. São eles: aeronáutica, electrónica, energia e ambiente, saúde e embalagem.Séfora C. Silva
Artigo publicado na edição da revista
nº 46, de Novembro de 2008

















