
“Se a crise financeira já se estendeu à economia, como acredito, então dois anos não chegam para a economia melhorar”, disse o economista João Ferreira do Amaral, na quinta sessão do ciclo de jantares-conferência “Engineering and tooling: desafios e oportunidades”, promovida pela Cefamol e apoiada pela
.A actual crise pode ser muito penalizadora para Portugal, porque “cai em cima de desequilíbrios já existentes e também do endividamento do País”, disse o professor catedrático, num jantar-conferência em Leiria, perante uma plateia com cerca de 80 empresários, numa alocução sobre “O papel do Estado na modernização e competitividade das PME”.
“Num ambiente de crise, o papel do Estado deve ser diferente do que numa situação normal”, começou por dizer João Ferreira do Amaral, que enunciou um conjunto de medidas que deveriam ser implementadas para gerar um bom ambiente de negócios. “Em primeiro lugar, o funcionamento da justiça”, apontou, considerando que “Portugal não é nenhum exemplo e que este é um dos problemas mais difíceis de resolver”, pois é génese “estrutural e de geração”.
Também a questão da burocracia, que afecta muitos serviços, “é necessário ir resolvendo”, reconhecendo, contudo, não tratar-se de um exclusivo português.
Além destas medidas, João Ferreira do Amaral apontou outro grande grupo de questões necessário para um bom ambiente de negócios, que se prende com os factores produtivos, capital humano, capital físico (equipamentos) e também com a tecnologia e inovação.
No capital humano, o economista lembrou que as nossas qualificações são bastante piores do que os restantes países europeus. “Na formação, há uma tradição, que é o desleixo, e isso paga-se caro”, disse, lembrando, no entanto, que até tem havido muito dinheiro da União Europeia para esse domínio. “Mas não temos conseguido fazer entrar esta preocupação quer na generalidade dos empresários quer na dos trabalhadores”, acrescentou.
“O capital humano – ou a falta dele, afecta tudo, desde o trabalho à própria gestão”, referiu.
Quanto ao capital físico, às infra-estruturas necessárias para um bom desempenho das empresas, João Ferreira do Amaral criticou as apostas dos últimos governos. “Temos deficiências ao nível das infra-estruturas, como é o caso dos portos marítimos, que continuam ineficientes. Os investimentos, nos últimos anos, dirigiram-se mais para os transportes rodoviários, mas a questão dos transportes marítimos deveria ser prioritária para Portugal”, adiantou.
Ainda sobre o papel do Estado, o economista pronunciou-se também sobre a capacidade de atracção de investimento estrangeiro, “onde temos grandes deficiências, e que tem vindo ma descer desde a década de 90. Se nos quisermos inserir na economia global, temos de atrair investimento estrangeiro”, acrescentou.
Para o reforço da nossa economia, João Ferreira do Amaral destacou ainda a necessidade de abrir novas possibilidades de negócio em Portugal. “O Estado pode ter um papel importante de incentivar os agentes económicos”, alertou, apontando em concreto “domínios estratégicos como as actividades relacionadas com o mar”, bem como “a reabilitação urbana e também a fileira florestal”.


















