O business angel europeu do ano explica, em exclusivo à
, os segredos para ganhar dinheiro, mesmo em tempo de crise “Eu quero ganhar dinheiro”, admitiu Nelson Gray, investidor escocês, nomeado Business Angel Europeu do ano, na sua passagem por Portugal a convite da Gesventure.
No decorrer do X encontro Gesventure, o business angel falou sobre a forma de ganhar dinheiro através de investimentos enquanto business angel, mesmo em tempo de crise. E citou exemplos conhecidos de negócios que prosperaram graças ao apoio de business angels que, por sua vez, multiplicaram o dinheiro investido. Como é o caso das multinacionais Amazon ou Body Shop, que hoje valem milhões, ou do Google, também apoiado graças a um business angel – Ram Shiriram – que multiplicou o seu investimento 9.300 vezes.
No seu caso, e
Hoje, escolhe os seus negócios se a oportunidade for boa
e se sentir que pode, genuinamente, acrescentar valor ao projecto que
vai apoiar. “Tenho que sentir que posso contribuir com mais do que
dinheiro”, explicou, em declarações à
. Nos últimos anos a
maioria dos seus investimentos tem sido na área das ciências da vida,
“até porque os parceiros investidores têm-se mantido juntos e é
possível utilizar a experiência de todos”.
Além dos investimentos
em grupo, através do grupo de investidores Braveheart e de outros
grupos aos quais está ligado, Nelson Gray também faz alguns
investimentos por sua conta e risco. Como? Sempre que conhece o
empreendedor que lidera a empresa, os outros investidores e pode
confiar neles, definiu, mesmo que nesses casos não se envolva
demasiado. E depois, claro, há as situações em que se envolve tanto,
que assume responsabilidades ao mais alto nível nas empresas que apoia.
Erros a evitar
O seu primeiro negócio enquanto business angel foi “um desastre”,
admitiu Nelson Gray. “Quando comecei a ser business angel não fazia
ideia o que estava a fazer”. É com base na sua própria experiência que
identifica os principais erros a evitar, quando se quer investir
enquanto business angel. “Não se deve escolher um mau empreendedor, com
um mau modelo de negócio, sem escala de crescimento e que permita que
qualquer um entre no seu negócio”, explicou Nelson Gray.
Além
disso, admitiu, às vezes é difícil a um business angel admitir que
cometeu um erro na escolha do projecto que está a apoiar e por isso,
mesmo que não esteja a correr bem, muitas vezes continua a investir. E
a perder dinheiro! “Não deixem o vosso ego afastar-vos da realidade”,
alertou o investidor escocês, que também considera muito importante
aprender com os erros, para evitar repeti-los.
E uma boa forma de
evitar erros de principiante é começar por investir em conjunto com
outros “anjos”, evitando tentar fazer tudo sozinho. “É a melhor forma
de evitar desperdiçar dinheiro. Recomendo sempre às pessoas que comecem
a investir com outros investidores mais experientes”, revelou Nelson
Gray à
.
Oportunidades na crise
Apesar da crise mundial, continuam a existir boas oportunidades para
ganhar dinheiro, considera Nelson Gray. “Existe uma oportunidade,
sobretudo para quem tem liquidez financeira e consegue manter as
empresas. Estamos a atravessar um período de mudanças. Sempre que
existem mudanças, surgem oportunidades, porque as empresas e as pessoas
passam a fazer as coisas de forma diferente”.
Quanto ao mercado
português, que admite não conhecer bem, Nelson Gray acredita que, sendo
a actividade de business angel tão recente, haverá boas oportunidades
para este tipo de investimentos.
Séfora C. Silva
PERFIL
Nelson Gray tem 50 anos, formação em Economia, que completou com um MBA
e uma especialização em direcção de empresas. Entrou no mundo dos
business angels no início dos anos 90, através do Braveheart, um clube
escocês, depois de ter vendido a sua própria empresa a uma
multinacional alemã. Era demasiado cedo para se reformar, explica em
tom de brincadeira.
Sobre o prémio de Business Angel Europeu do
ano que ganhou, Nelson Gray também não deixa de falar em tom
humorístico ao explicar que, “sendo escocês, era o único que merecia o
acordo de alemães, holandeses, italianos e belgas”, gracejou,
referindo-se ao júri que o elegeu.
Artigo publicado na edição da
nº 47, de Dezembro de 2008


















